Que os vizinhos da prosegur se explodam

Que os vizinhos da Prosegur se explodam

Assalto que nunca terminou - Um ano depois, alguns suspeitos morreram, outros foram presos, donos abandonaram as casas e a empresa de valores apenas mudou de endereço

  • Reportagem
    Ulisses Pompeu

  • Design
    Dihon Albert

  • Fotos
    Breno Pompeu
    Jordão Nunes

Assalto Prosegur Marabá

Cinco de setembro de 2016. Já se passaram 365 dias desde que uma quadrilha fortemente armada com cerca de 30 integrantes cometeu o maior crime de assalto da história de Marabá. Eles pararam o tráfego nas duas pontes sobre o Rio Itacaiunas, deixaram a força policial entrincheirada e invadiram a sede da empresa de valores Prosegur com bombas e um tiroteio infernal.

A ação durou cerca de 40 minutos, o suficiente para os bandidos rasparem os cofres e levarem cerca de R$ 30 milhões, segundo números apurados pela Reportagem por meio de fontes na própria empresa.

Nesta reportagem especial, o Correio de Carajás montou uma linha do tempo, mostrando a cronologia pós-crime, revelando quem foi preso, quanto foi recuperado, como vivem os moradores impactados no Bairro Novo Horizonte, o sobressalto e medo dos novos vizinhos da Prosegur (Bairro Liberdade) e o descaso da empresa de segurança em reparar os danos causados a dezenas de famílias, já que é responsável pelo risco da atividade que exerce, conforme ação civil pública impetrada recentemente pela Defensoria Pública do Estado em favor dos proprietários dos imóveis impactados – quase 40 famílias.

A perícia do Instituto Médico Legal (IML) identificou que 38 imóveis ficaram danificados com as explosões à sede da Prosegur, na Rua Itacaiunas, bairro Novo Horizonte. A grande maioria é de residências e algumas delas tiveram grandes impactos e outras em menor grau.

O único imóvel que a Prosegur restaurou foi a Escola Francisco de Souza Ramos, localizada quase em frente à sua sede. Paredes, telhado, forro, portas e janelas foram destruídos com as explosões. Como os estudantes ficaram sem aula após o assalto, os diretores da empresa tiveram medo da pressão social e das autoridades municipais e estaduais e acabou contratando uma empresa para recuperar a escola. E foi só. Os demais vizinhos amargam o prejuízo até hoje.

Nem o prédio da própria Prosegur foi reconstruído. A empresa apenas pagou para retirar os entulhos, como mostram fotos feitas com drone na última semana pela equipe do Portal Correio de Carajás.

Aquele quarteirão no bairro Novo Horizonte nunca mais foi o mesmo, enquanto a Prosegur continua atuando da mesma maneira. Apenas mudou de endereço.

Linha do tempo Prosegur
Linha do tempo Prosegur

Vizinhos abandonaram suas casas

No chamado quarteirão da Prosegur, onde ocorreu o mega-assalto exatamente um ano atrás, muitos moradores vivem sob o signo do medo e do pânico. Alguns abandonaram suas casas, mas mesmo assim os presságios e pesadelos nunca cessaram.

A casa de número 1.670 da Avenida Itacaiunas foi a que mais sofreu danos. Boa parte do teto desabou, paredes racharam de cima abaixo, vidraças foram destruídas, pelo menos cinco veículos que estavam na garagem naquela madrugada do dia 5 de setembro de 2016 foram danificados – alguns importados.

Durante o tiroteio e bombardeio, a família se abrigou em um quarto nos fundos, todo mundo ficou deitado e rezando para que tudo cessasse e não houvesse vítimas em casa. Os minutos viraram horas e o sono foi embora pouco depois da 1 hora da madrugada.

A residência parece que parou no tempo. Além de ter sido abandonada pelos proprietários, continua apresentando o mesmo cenário de destruição do dia do assalto.

Raimundo Bandeira, proprietário, relembra que os tiros começaram por volta de 1h30 da manhã. “Ficamos todos em um quarto só enquanto a casa estava sendo detonada por bomba e todo mundo muito aflito. Perdi as contas de quantos tiros a gente ouviu naquela madrugada. Eu e minha família permanecemos em um quarto só esperando a situação amenizar”.

Bandeira relembra que há seis anos os bandidos fizeram um túnel para ter acesso ao cofre e sua mãe sempre dizia que aquela era uma 'casa bomba'. A esposa de Raimundo faz acompanhamento psicológico até hoje porque não conseguiu superar o trauma vivido naquela madrugada.

A casa de número 1.618, bem em frente à sede da Prosegur, é outra que está abandonada. Ela pertence à família Cunha, tradicional na cidade, da qual pertence o delegado licenciado e atual vice-prefeito de Marabá, Toni Cunha.

A matriarca, dona Nazaré Cunha, de 84 anos de idade, passou horas de angústia e terror e depois do episódio a casa foi esvaziada. A explosão havia destruído quartos, portas e parte do teto. A casa continua vazia.

Casa abandonada Prosegur

Bem ao lado, na esquina, outra casa também está desocupada. Nela morava Hiram Bichara, outro octogenário. O filho dele, Jorge Bichara, médico, contou esta semana à Reportagem do Correio que durante o ataque à Prosegur, o pai se refugiou embaixo da cama com ajuda de duas pessoas que moravam com ele. Ficou ali por duas horas, até terem a certeza de que ação dos bandidos tinha acabado.

No dia seguinte, ele foi levado para consulta em Belém, onde passaria por uma cirurgia. Durante o procedimento, teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e morreu. Os médicos não descartaram que ele pode ter sido desencadeado pelo grande susto que sofreu em Marabá. “A casa está fechada. Houve danos. O IML fez a perícia e, claro, precisamos cobrar os responsáveis, ainda que indiretos”, diz Jorge Bichara.

Ali próximo, na outra esquina, Rua Rio Vermelho 378, o muro de fundo da casa tem como vizinho a Prosegur. A única moradora, uma idosa de 80 anos, também ficou abalada com as explosões. O genro, Hetor Dantas, conta que, com osteoporose, ela acabou caindo durante a tentativa de se esconder num lugar mais seguro da casa. Com a queda fraturou o fêmur, que nunca mais recuperou-se.

Abandonou a própria casa e foi morar com a filha e o genro na Rua Simplício Costa, no mesmo bairro. A casa dela sofreu vários danos, que foram periciados pelo IML.

No terreno ao lado, também de fundo com a Prosegur, um filho de Hetor, que havia casado 29 dias antes, tinha reformado toda a casa para morar com a esposa. A explosão causou danos graves à estrutura da residência e os recém-casados passaram a viver de aluguel a partir de então. “Ele teve muitos prejuízos. Investiu bastante e depois não pode desfrutar praticamente nada”, desabafa Hetor Dantas, que recebeu a Reportagem do Correio em casa e lamentou até mesmo o descaso das autoridades para pressionar a empresa a pagar pelos danos causados.

Curiosamente, o prédio da Regional da Sespa (Secretaria de Estado de Saúde Pública), que também sofreu avarias durante a explosão, foi abandonado recentemente e os servidores levados para uma nova sede, na Nova Marabá.

Ao todo, cinco prédios residenciais e um imóvel institucional estão fechados no quarteirão “amaldiçoado” da Prosegur.

Danos foram expressivos, confirma gerente do cpc

Linha do tempo Prosegur

A equipe do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves em Marabá periciou, ao todo, 38 imóveis danificados por ocasião do assalto à Prosegur, em 5 de setembro de 2016. dentre eles, o prédio da própria empresa de transporte de valores, uma escola, a Sespa e uma igreja. Os outros 34 foram residências particulares.

“Todos foram periciados e alguns tiveram danos de alta monta, enquanto alguns de menor potencial, de pequena monta. Em alguns casos houve queda de forro, desalinho, quebra de janelas. Coisas pequenas e mais simples, mas em outros casos, como o da casa ao lado (número 1.670), praticamente está condenada”, comentou o gerente regional do CPC Chaves, Augusto Andrade.

Aliás, Andrade, que também é perito, participou dos trabalhos de avaliação das condições dos imóveis. Conforme contou na última semana ao Correio, a análise do órgão estadual não pode condenar ou não um imóvel, mas houve casos com gravidade. “Para isso, é feito um trabalho específico, um engenheiro precisa avaliar se, estruturalmente, há condições. Isso não cabe à perícia. Nosso papel é dizer se houve ou não o dano e qual a magnitude dos danos”.

Na casa ao lado da Prosegur, de acordo com Augusto, havia rachaduras nas paredes e os veículos que estavam na garagem todos tiveram as portas empenadas só com o deslocamento da massa de ar. “Só isso já danificou todos os cinco carros que havia na garagem. Vi pessoalmente muitas rachaduras de parede e, aparentemente, há abalos de estrutura, embora a gente não tenha como medir a magnitude. O telhado caiu”, confirma.

Ele destacou, ainda, que o forro da escola em frente também veio abaixo e que todas as casas próximas tiveram danos nos forros, telhados, janelas. “A casa do sogro do vice-prefeito Toni Cunha foi danificada, causando um dano expressivo, e isso tudo só com o deslocamento da massa de ar, não chegando a lançar escombros diretamente”.

O perito conta que no prédio da Prosegur, em si, a laje caiu toda, próximo de onde estava localizada o cofre: “Talvez isso tenha salvado parte do dinheiro, porque os assaltantes não tiveram acesso. Não tinha como remover a laje”, observa o gerente do CPC Renato Chaves.

Linha do tempo Prosegur

Augusto Andrade afirma que todos os laudos já foram concluídos e encaminhados para as autoridades que os solicitaram. Houve laudos emitidos para a Superintendência de Polícia Civil e para delegacias, como a 21ª Seccional Urbana de Polícia Civil. “As perícias em residências foram feitas para as pessoas que procuraram a delegacia, registraram boletim de ocorrência e solicitaram perícia de danos. O resultado repassamos via delegacias”.

Andrade informa, ainda, que a partir do momento em que o laudo é concluído e vai para a mão da autoridade solicitante, o proprietário do imóvel tem direito a requerer uma cópia. “Nós emitimos um boleto com a taxa, que custa R$ 10. Esse valor é recolhido no Banpará e depois a pessoa retira uma cópia aqui, autenticada, com valor legal original”, explica.

Linha do tempo Prosegur

“Os incomodados que se retirem”

Um provérbio português é bem apropriado para descrever o novo endereço da Prosegur: “Os incomodados que se retirem”. Desde que sua sede foi explodida no Avenida Itacaiunas, Bairro Novo Horizonte, a Prosegur está estabelecida na Travessa Coronel Manoel Bandeira, Bairro Liberdade.

Trata-se, também, de uma área residencial, com apenas uma empresa por perto. E os vizinhos ficaram tão apavorados quando perceberam a chegada da empresa de valores no número 1.830, que se apressaram em elaborar um abaixo assinado para entregar às autoridades pedindo a saída da Prosegur.

Ildeni Campos, a Dina, conversou com a Reportagem do Correio e disse que acompanhou os passos da chegada da empresa, seus carros-fortes e outros veículos àquele setor, onde tudo era tranquilo até então. Um representante da Prosegur, segundo ela, ouviu as queixas dos moradores e prometeu que a empresa ficaria ali apenas um ano e seria transferida para o núcleo Nova Marabá, perto do quartel da Polícia Militar. “Já passou um ano e nunca mais falaram nada e continuam aí, deixando a gente apavorada com toda coisinha”, diz.

A mesma moradora da Travessa Coronel Manoel Bandeira diz que o representante da empresa chegou mesmo a prometer deixar um legado para os moradores: asfalto para esta via, além da Gaiapós, que passa ao lado. “E, claro, essa promessa nunca foi cumprida”, diz, laconicamente.

Ildeni diz que quando há festa pela redondeza e pessoas soltam fogos à noite, ela e os vizinhos acordam sobressaltados e correm para baixo da cama porque temem que seja outro assalto.

Maria de Nazaré Pereira mora na casa de número 1.715, da mesma Manoel Bandeira, desde que chegou do Maranhão, há 30 anos. Aos 65 de idade, ela aponta para um prédio ao lado da Prosegur, que está fechado e exibe a placa “aluga-se” há vários meses.

Conta que ali funcionava uma empresa de distribuição de vários produtos e quando os proprietários perceberam a chegada da Prosegur, tentaram liderar um movimento para a saída da empresa de valores do local, mas não conseguiram. Resultado: resolveram mudar de endereço, ir para a Nova Marabá e colocar o prédio para aluguel, mas nunca conseguiram um interessado.

Casa abandonada Prosegur

A líder comunitária Maria do Livramento Sá Almeida, a popular Lia da Liberdade, disse que a luta foi grande dos moradores para tentar impedir a chegada da Prosegur para aquela rua, mas em vão. Sabe que a empresa toma muitos cuidados com a segurança dos seus funcionários, mas alega que não são apenas eles que estão na mira dos bandidos. “O caso da Avenida Itacaiunas mostra que os moradores estão, sim, vulneráveis o tempo todo”, argumenta Lia.

O abaixo-assinado dos vizinhos às proximidades do novo endereço da Prosegur contém 112 nomes de pessoas e foi entregue ao Ministério Público Estadual, que até agora não ofereceu denúncia sobre o caso à Justiça nem procurou a empresa para tentar uma saída amigável.

Mini-quartel como lição do mega-assalto

Linha do tempo Prosegur

Depois de ficar encurralada na Nova Marabá na madrugada do mega-assalto à Prosegur, sem conseguir ter acesso ao Núcleo Cidade Nova, a Polícia Militar tomou uma medida mitigadora: instalou um mini-quartel no bairro Liberdade, a poucos quarteirões da nova sede da empresa de valores.

Procurado pela Reportagem do Correio, o coronel Franklin Roosevelt Wanzler Fayal, comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar desde junho deste ano, disse que ao assumir o posto em Marabá, a equipe dele elaborou um plano de contenção a assalto a banco, que engloba ações como a ocorrida há um ano.

“Independentemente deste caso, em todo lugar que a gente chega temos essa preocupação de elaborar esse plano de repressão a assaltos a banco. Fazemos toda a prevenção para que não aconteça algo dessa natureza. A tropa está treinada para evitar que o sinistro aconteça e, caso ocorra, a gente possa estar preparado”, afirmou.

Casa abandonada Prosegur

Ainda conforme ele, o 4º BPM se preparou para uma eventual contenção e reativou, em agosto último, uma companhia no Bairro Liberdade, no Núcleo Cidade Nova, abrigando dezenas de policiais militares. “Inclusive, o tenente Alves veio da capital para comandar essa companhia, atuando diretamente na Cidade Nova. Essa força já existia, mas estava desativada”, confessa.

Ele afirma, ainda, que a comunidade precisa ser os olhos da Polícia Militar e que com cooperação entre a força policial e a sociedade, é possível evitar crimes de grandes proporções. “As pessoas têm de nos informar. Distribuímos os números de telefone do quartel e quando alguém perceber uma situação anormal deve informar de imediato a Polícia Militar porque nós não podemos estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Precisamos dos olhos da comunidade voltados para atitudes suspeitas e que informem ao Sistema de Segurança Pública para agirmos preventivamente. Assim não vai ocorrer o fato delituoso”, avalia.

Casa abandonada Prosegur

Questionado sobre o que pensa da localização da seguradora de valores no município, o coronel opina que o prédio deveria estar situado em área com maior infraestrutura, perto dos órgãos de Segurança Pública e não próximo às residências. “Seria melhor retirar de perto das famílias que habitam aquela área porque em um eventual sinistro, com explosões, essas pessoas serão afetadas”, reconhece.

Casa abandonada Prosegur

Resposta da Prosegur é ‘copia e cola’ de outro assalto

A Reportagem do Correio procurou a Assessoria de Imprensa da Prosegur por telefone e e-mail. Depois de várias tentativas, a empresa, enfim, se posicionou sobre o assunto e enviou uma nota, mas sem responder nenhuma das perguntas enviadas.

Depois, procurando na Internet, identificamos praticamente o mesmo texto enviado para o site da Revista Revide www.revide.com.br, de Ribeirão Preto, numa vergonhosa espécie de Control C + Control V, como se diz na linguagem internetês.

Em julho deste ano, o veículo de comunicação pedira uma nota da empresa de valores sobre um ano de assalto nas mesmas proporções de Marabá ocorrido em 5 de julho de 2016, de onde uma quadrilha roubou R$ 51 milhões.

Leia, abaixo, as cinco perguntas (apenas cinco) que enviamos para a Prosegur e que foram ignoradas na “nota pronta”:

1) A empresa vai reconstruir sua sede na Avenida Itacaiunas, que foi destruída em 5 de setembro de 2016?

2) A empresa pretende retornar para o local que foi destruído?

3) Mais de 30 moradores que tiveram suas casas danificadas no dia da explosão e assalto reclamam que a Prosegur não cuidou de reparar os danos causados, embora tenha reconstruído o prédio público (escola) que sofreu danos. Há diferença de tratamento por parte empresa de valores entre prédio público e privado, neste tipo de sinistro?

4) Famílias que residem próximo ao atual endereço da Prosegur, em Marabá, se dizem apavoradas, com medo do que pode vir a acontecer. Houve algum tipo de mudança no sistema de segurança depois do sinistro ocorrido em 5 de setembro de 2016?

5) O seguro da empresa não contempla vizinhos do prédio da empresa de valores, em caso de grande sinistro?

Casa abandonada Prosegur

Veja a nota enviada para a Redação do Correio:

“A Prosegur esclarece que a base onde ocorreu a ação criminosa em setembro de 2016 estava totalmente capacitada para as operações que realizava. Assim como todas as demais bases da empresa no Brasil, era fiscalizada anualmente pelo Ministério da Justiça, por meio da Polícia Federal, cumprindo todas as normas exigidas pela Lei 7.102/1983.

Além disso, todas as bases da Prosegur (incluindo aquela que foi atacada em Marabá) seguem rígidos padrões internacionais definidos por grandes seguradoras mundiais, por meio de sistemáticas auditorias realizadas por certificadoras reconhecidas mundialmente.

A Prosegur investe constantemente em novas tecnologias para aumentar o nível de segurança de suas operações, que é, inclusive, acima das leis exigidas. Tanto é que a nova sede já em operação na cidade de Marabá, localizada na Travessa Manuel Bandeira, 1830 - Liberdade, recebeu fortes investimentos em tecnologia e infraestrutura de ponta, que a tornam ainda mais eficiente e segura, inclusive com uso de tecnologias que invalidam o dinheiro ou impossibilitam a chegada ao mesmo.

Mais uma vez, a companhia lembra que é vítima da ação criminosa e que segue colaborando com as autoridades estaduais e federais para que todos possam trabalhar de forma conjunta, com ações preventivas e repressivas para conter ataques de alta magnitude”.

Agora compare com a nota enviada para a Revista de Ribeirão Preto:

“Por meio de nota, a empresa esclareceu que o prédio onde ocorreu a ação criminosa em 2016 estava totalmente capacitado para as operações que realizava. Entretanto, desde o atentado, a companhia opera em nova sede na cidade, na Rua Antonio Fernandes Figueroa, 1830.

A nova base recebeu fortes investimentos em tecnologia e infraestrutura de ponta, que a tornam ainda mais eficiente e segura, inclusive com uso de tecnologias que invalidam o dinheiro ou impossibilitam a chegada ao mesmo.

Toda as bases da Prosegur no Brasil seguem rígidos padrões internacionais definidos por grandes seguradoras mundiais e são fiscalizadas anualmente pelo Ministério da Justiça, por meio da Polícia Federal, cumprindo todas as normas exigidas pela Lei 7.102/1983”, diz o comunicado da empresa.

Além disso, a companhia informou que colabora com as autoridades estaduais e federais para que todos possam trabalhar de forma conjunta, com ações preventivas e repressivas para evitar grandes ataques”.

Leia a reportagem e a nota da empresa à Revide através do link: https://www.revide.com.br/noticias/cidades/um-ano-apos-mega-assalto-moradores-convivem-com-medo-e-inseguranca/.

Ação coletiva pede indenização por danos materiais e morais

A Defensoria Pública do Estado do Pará, por meio dos defensores Francelino Eleutério da Silva, José Érickson Ferreira Rodrigues, Nara Cerqueira Pereira e Rogério Siqueira dos Santos, moveu Ação Civil Pública solicitando indenização por danos morais, há cerca de dois meses, contra a Prosegur.

Na ação, a Defensoria relata os fatos ocorridos na madrugada do dia 5 de setembro do ano passado, destacando que o grupo criminoso espalhou-se pelo quarteirão para evitar a aproximação de pessoas, efetuou rajadas de bala para afugentá-las e realizou duas grandes detonações de dinamite. O emprego dos explosivos, acrescenta, além de prejuízos no imóvel da empresa, repercutiu em dezenas de imóveis de moradores vizinhos.

Estes prejuízos, afirma a Defensoria, incluem tanto aqueles de ordem material – que afetaram a estrutura dos imóveis vizinhos, deixando alguns imprestáveis para uso e outros com inúmeros prejuízos materiais – quanto os de ordem moral, uma vez que diversas pessoas relataram severa perturbação à paz, inclusive com repercussão na saúde de alguns moradores.

"A sensação dos moradores vizinhos era de que estavam num verdadeiro ‘campo de guerra’, por decorrência da intensidade e sequência de explosões. Sensação que perdurou até que veio à lume, durante o dia, a informação de a empresa requerida foi vítima de uma ação criminosa. Há relatos, inclusive, de risco pessoal à vida e integridade física, caso os moradores não tivessem saído de suas residências", destaca a ação, transcrevendo trechos de depoimentos das vítimas relatando abalos psicológicos e os estragos nas residências.

Considerando o assalto criminosa que afetou o município de Marabá e - de forma mais específica e gravosa - os vizinhos da empresa, além das condições pessoais das vítimas, em sua maioria pessoas com limitadas condições financeiras, e as condições econômicas da Prosegur, no caso uma empresa de grande porte, foi requerida indenização no valor de R$ 1 milhão a título de danos morais. “Mas cada um vai apresentar os danos materiais, que também precisam ser reparados”, disse o defensor José Érickson, que recebeu a Reportagem do Correio para comentar sobre a meticulosa ação que os defensores elaboraram para tentar reparar os danos sofridos pelas dezenas de famílias do Bairro Novo Horizonte.

O defensor reconhece que a tramitação da ação na Justiça pode não ser rápida como os moradores desejam. Todavia, garante que a peça foi bem fundamentada para que o “tempo judicial” seja o menor possível. “Nesse caso da empresa transportadora de valores há um risco inerente à atividade que pratica, e logicamente há algo que chama atenção de grupos criminosos e a tese que foi sustentada é: será que por uma não adoção de cautela a empresa deixou de adotar alguma providência? Moradores que procuraram a Defensoria indicaram que sim. Agora cabe à justiça, nas audiências, nas análise que fizer do processo, definir isso”, encerra, dizendo que não é razoável que os vizinhos da empresa Prosegur – que em nada concorreram com o evento dano – suportem os prejuízos sofridos, quer de índole material ou moral.

Ulisses Pompeu

Editor do CorreioDOC. Já fez diversas reportagens sobre o Itacaiunas, rio onde aprendeu a nadar e ensinou seu filho. Espera que os netos façam o mesmo, se houver rio…